O espetáculo Àbíkú transporta o mito africano para a realidade brasileira, contrapondo a ideia de “Destino” proposta pelo mito por meio da relação de “Causalidade” trazida pela condição social em que os personagens estão inseridos, envolvendo o público numa atmosfera hora lúdica, hora fática... hora rija, hora branda... hora hílare, hora banzo... onde o mítico e o real se confundem, convidando o espectador tanto a vivenciar a poética dessa história, quanto a refletir sobre a ética discriminatória de nossas reações sociais.

 

A peça conta a história de André, um menino que nasce da falta de diálogo entre os pais, cresce na ausência de perspectivas para o futuro, vive em meio às desigualdades sociais do país e morre a sombra de um mito - o mito das crianças Àbíkú.

 

O espetáculo possui forte apelo popular, e no que se refere à forma, é claramente um Teatro Aberto. Ou seja, seus personagens estão num espaço em que não há barreiras entre contracena e plateia. A presença e a participação do público são um pressuposto. Não se trata de mera interatividade, mas da construção coletiva que se estabelece entre atores e plateia para a realização do espetáculo.

A palavra Àbíkú é, numa tradução literal: Abí (nascer) e Ikú (morrer). Refere a um mito Yorubá (grupo étno-linguístico localizado na África Ocidental) que professa a respeito de crianças nascidas sob um destino: Vir ao mundo, causar grandes transformações e partir ainda infantes.

Foto: Madana Mohana

Teaser:

Espetáculo: Àbíkú - Teatro Negro e Atitude

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